Como será a universidade do futuro?



Olá, leitores e leitoras.

Recentemente, deparei-me com a seguinte notícia:


O título da matéria publicada pelo Tecmundo é "Autodidata? Tudo bem! Google e Apple não exigem mais diploma para contratar". Basicamente, a notícia diz que grandes empresas da tecnologia já não exigem que seus funcionários sejam diplomados. Isto é, para se candidatar a uma vaga na Google, Apple e IBM não é preciso ter concluído uma graduação.

O que isso representa? Que, a partir de agora, os diplomas do ensino superior nada mais valem? Óbvio que não, pois a própria notícia afirma que essas empresas ainda contam a titulação como importante requisito. No entanto, para além da certificação formal, as competências têm mais peso na contratação. Noutras palavras, se o candidato é autodidata, isso não é um entrave no processo seletivo, uma vez que suas habilidades contam mais do que seus títulos.

São notícias como essa que nos fazem refletir sobre o papel da universidade do futuro. Percebe-se que modalidades como a Educação a Distância (EaD) e a própria incorporação das tecnologias digitais ao processo de ensino-aprendizagem ainda sofrem preconceito na comunidade acadêmica. Essa aversão aos avanços tecnológicos implica uma resistência para com algumas modificações tão urgentes na educação formal. Resistência esta que se desvela pelos currículos demasiadamente engessados, pela desconfiança dos recursos tecnológicos na aprendizagem, além da cristalização de determinadas áreas elitizadas que ainda resistem às mudanças mais estruturais.

Não me cabe, aqui, prever o futuro ou traçar os caminhos que farão parte da universidade do amanhã. Ora, se eu tivesse uma bola de cristal, jogaria na loteria e ficaria milionário. Mas, em face dessa notícia publicada pelo Tecmundo que, a princípio, não parece tão alarmante, proponho alguns questionamentos:
1 - Será que, de fato, as universidades estão preparadas para as mudanças mais drásticas que decorrem dos avanços tecnológicos?
2 - Será que, nas próximas décadas, um diploma de ensino superior terá tanto valor quanto um curso feito pela internet de maneira aberta e a distância?
3 - As competências demonstradas irão sobrepujar os títulos a ponto de arrefecer a validade de uma graduação no currículo?

Não tenho as respostas para as questões supramencionadas, mas me proponho a refletir sobre o papel da universidade do futuro. Por certo, áreas relacionadas às tecnologias tendem a incorporar as ressignificações com mais celeridade, ocasionando mudanças mais radicais na forma como entendemos e valorizamos as titulações. Contudo, numa sociedade em que aprender não mais se limita ao espaço físico da sala de aula, cabe refletir se a rigidez da academia ainda coaduna com um mercado cada vez mais volátil. Currículos engessados, processos de ensino-aprendizagem pautados na tradicional transferência de conteúdo, disciplinas destoantes da realidade prática, etc., são apenas algumas das problemáticas que perpassam muitas das universidades atuais. E me parece que, por vezes, essas mesmas problemáticas são mantidas pela academia como uma espécie de resistência às mudanças que estão acontecendo na sociedade contemporânea.

Acredito que seja contraproducente preservar modelos arcaicos em nome de uma suposta excelência oriunda de uma educação calcada no século passado. Em meio a tantas mudanças, a academia parece pecar pela insistência no tradicional, uma espécie de garantia de qualidade que resiste perante as incertezas da contemporaneidade. Mas quanto tempo a universidade irá resistir com sua educação tradicionalista e cada vez menos atrativa em face dos jovens cada vez mais tecnológicos do século XXI?

A não exigência de um curso superior por parte de grandes empresas da tecnologia parece um prenúncio de transformações mais radicais na sociedade. Não acredito que, nos anos vindouros, as universidades perderão sua credibilidade, tampouco sua centralidade na formação de profissionais. Mas uma coisa me parece certa: são outros tempos, outras demandas e outros públicos. Até quando a universidade vai persistir com seus modelos de educação arcaicos? Não é o momento de investir na EaD, nas tecnologias digitais atreladas à aprendizagem e num modelo de educação centrado no aluno? As novas demandas estão postas, e a academia precisa se reinventar para oferecer uma educação ajustada à nova realidade, cujo conhecimento não mais se cinge à presença física e não está monopolizado na figura do professor presencial.




Fontes para reflexão:



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